sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Desafios literários 2021


Um pouco sobre cada desafio. Coloquei regras no desafio de 12 livros, como sempre, para que eu pudesse ter uma variedade, mas ainda sim cumprir algumas metas que eu tenho com as leituras da minha vida. Sobre os 1001 livros para ler antes de morrer, estou indo bem devagar. Ano passado eu li apenas 1 livro que me propus a ler desse desafio, então em 2021 eu quero ter um pouco mais de disciplina, e ler um a cada 2 meses.

E sobre o projeto de leitura da obra completa do Machado de Assis, o que tenho a dizer é que em 2020 eu não me animei super a ler livros clássicos, e por causa disso eu li pouquíssimo do Machado. Esse ano eu coloquei uma meta suave, porém que faz o projeto andar. Ler 100 páginas do Machado de Assis por mês fazia super sentido pra Isabella que criou o projeto, pra Isabella de hoje, focar em autoconhecimento (e aí em vídeos, livros, filmes e tudo que envolva isso) está sendo mais importante, então os clássicos brasileiros não serão uma grande prioridade.


Regras desse ano para os 12 livros.

- Pelo menos metade ter sido escrito por autoras mulheres.

- Pelo menos 2 séries.

- Pelo menos metade no kindle.

- Pelo menos 2 calhamaços.

- Pelo menos 3 clássicos. 


Legenda:

Concluído

Em andamento


12 livros para 2021

Janeiro - O Milagre da Manhã - Hal Elrod

Fevereiro - Mrs. Dalloway - Virginia Woolf

Março - Teto Para Dois - Beth O’Leary

Abril - Capitães da Areia - Jorge Amado

Maio - A Princesa de Ônix - Jadna Alana

Junho - Noites de Tormenta - Nicholas Sparks

Julho - O Vermelho e o Negro - Standall

Agosto - Starters - Lissa Price

Setembro - O Peso do Pássaro Morto - Aline Bei

Outubro - Outsider - Stephen King

Novembro - O Ano da Graça - Kim Ligget

Dezembro - 5 Dias Para o Natal - Fabiana Oenning



1001 livros para ler antes de morrer

As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides

O Demônio e a Srta Prym - Paulo Coelho

As Ondas - Virginia Woolf

O Assassino Cego - Margaret Atwood

O Som e a Fúria - William Faulkner



Machado de Assis

Balas de Estalo

Histórias sem Data

Pedro Luis

Casa Velha

Gazeta de Holanda

O Futuro dos Argentinos

Joaquim Serra

Bons Dias



Que 2021 seja um ótimo ano de leitura para todos nós!



domingo, 6 de dezembro de 2020

Resenha: A Cabana - Reflexões, de William P. Young




























Título: A Cabana - Reflexões Para Cada Dia do Ano
Autor: William Paul Young
Editora: Editora Sextante
Ano de publicação desta edição:
Número de páginas: 128
Onde encontrar: Skoob
Nota: 5 / 5


Aqui está um livro necessário se você leu A Cabana, e quer entender mais sobre os ensinamentos que o livro traz. Aqui, para cada dia do ano temos um trecho do livro e um comentário do autor sobre esse trecho. Os trechos seguem sim a linha do tempo do livro, mas são trechos escolhidos à dedo, então é importante que você tenha lido A Cabana primeiro, para conseguir entender este livro aqui! 

Essa resenha, além de uma super recomendação que vocês leiam o livro, vai ser um comentário geralzão de algumas passagens que mais me emocionaram. É bom citar que eu fiz mais de 50 marcações, ou seja, marquei muita coisa, grifei mais coisas ainda, e fiz muitos posts baseados nesse livro aqui no blog. Vou continuar com esses posts, e pretendo postar ao menos um a cada 15 dias, a partir dessa semana. Parei um pouco por que estava focada em outros projetos, mas agora voltarei com tudo!

"Está ouvindo este som? Sou eu gritando dentro da cela da minha religião..."

Quis colocar essa como a primeira citação por que, se você me acompanha no instagram, sabe que eu não estou mais dentro da religião protestante. E enquanto eu lia essa passagem eu me sentia muito preza dentro da religião. Eu não acredito que orixá seja demônio, não acredito que ser LGBT é pecado, não acredito que Deus condena as pessoas por um erro do qual ela realmente se arrependeu e pediu perdão. Não acredito em um Deus vingativo, e a religião onde eu estava me prendia muito nessas coisas. Então, quero dizer: seja livre, esteja com Jesus e tudo vai ficar bem, não importa onde você esteja. Jesus te encontra em qualquer lugar, pode ter certeza disso.
...




























"Você é o vento que me pega de surpresa, a água que sacia minha sede eterna, a fonte oculta da qual jorram o pensamento, a música, a criatividade e a liberdade. Venha, preencha-me, e por favor, não pare nunca"

Eu amei essa citação por que fala algo óbvio que a gente não se toca sempre: Tudo vem de Deus. Tudo que é feito com amor vem de Deus. Toda música, pintura, pensamento, ação, trabalho que é feito com amor e faz o bem, é algo que vem de Deus. E a gente se esquece muito disso, né? A gente limita muito o agir de Deus, como se Ele pudesse inspirar as músicas gospel, mas não as músicas do Mateus Aleluia. E essa limitação, que na verdade é nossa (de não compreender Deus nas coisas mais puras e simples) nos faz perder muito da graça de Deus, simplesmente por que nossos olhos estão vendados para isso.

...
"Ele meu espírito, segure minha mão e ensine-me a voar mesmo na escuridão do meu mundo. Hoje, eu lhe entrego a minha dor"

É muito importante a gente entregar nossa dor pra Deus, né? Muitas vezes ficamos tão apegados àquela dor, pensando que ninguém nos entende, e aí agarramos a dor com todas as nossas forças. Eu até entendo isso. Às vezes a gente se acostuma tanto com a dor, que sem ela nos sentimos vazios. Mas é importante entregar as dores à Jesus, colocar tudo nas mãos dele e pedir para que ele preencha o espaço que a dor ocupava, com alegria.

...
"... sei que uma mudança verdadeira e duradoura leva tempo, e ouço você sussurrar que sou digno do seu tempo"
Uma coisa que muitas vezes no trava perto de Deus é acharmos que não valemos a pena. Mas pensa, Deus ama tudo que Ele criou, e isso também se aplica à todos os humanos. Todos recebemos amor, perdão, misericórdia e o tempo do Deus por que Ele nos ama. Não por merecimento. Não é questão de sermos perfeitos e aí ganharmos pontos no conceito de Deus. Nós sempre estamos com todos os pontos, só precisamos entender isso. Não há nada que possa alterar o que Deus sente por nós.

...

"Obrigado, também por permitir que soframos junto com você as consequências de nossas escolhas. Faz parte do nosso processo de crescimento"

E sempre, sempre, a gratidão precisa estar nos nossos corações. Tudo que acontece com a gente é resultado do que plantamos. Sei que é difícil entender isso, principalmente quando algo terrível acontece. Mas precisamos entender que nossas escolhas muitas vezes nos levam por caminhos ruins. Não se culpe! Tudo é oportunidade de aprender e crescer. Devemos ter isso bem firme na cabeça: Colhemos o que plantamos, então, de agora para frente, esforço para plantar coisas boas".

Muitas vezes deixamos pessoas ruins entrar na nossa vida por que não nos conhecemos direito, achamos que precisamos de amor dos outros, quando a verdade é que precisamos nos amar primeiro. Que Deus possa nos ensinar sobre o verdadeiro amor, e que a partir disso, podemos plantar e colher coisas boas.



domingo, 11 de outubro de 2020

Resenha: Psicopata Americano, de Bret Easton Ellis

 


Título: Psicopata Americano
AutorBret Easton Ellis
Editora: Editora Rocco
Ano de publicação desta edição: 1992
Número de páginas: 480
Onde encontrar: Skoob
Nota: 5 / 5 

O protagonista de Psicopata Americano se chama Patrick Bateman, um homem branco rico, que trabalha com um cargo alto em uma das empresas que mais lucra no estado, e que tem amigos igualmente ricos e igualmente em posição de poder. Como já é de se esperar desse tipo de pessoa, Patrick e seus amigos são homofóbicos, racistas, machistas, gastam fortuna em coisas triviais, como gravatas de grife e vinhos que eles nem sequer irão tomar, e uma da diversão do grupo é caçoar dos mendigos, fingindo que vão ajudar, e batendo na pessoa no final.

Patrick é extremamente vaidoso, de forma doentia mesmo. Porém não se preocupa muito com sua saúde, o que é até estranho, visto que ele passa horas malhando. Ele diz que homens brancos não pegam AIDS, então não precisam usar camisinha. 

Para além de toda essa bizarrice, Patrick tem uma paixão estranha por serial killers, e ama ficar vendo e ouvindo noticiários sobre o assunto. E é aí que ele realmente fica estranho de fato. Um de seus primeiros crimes no livro, é esfaquear um mendigo, sem motivo algum. E ele faz isso de uma forma tão cruel, com uma brutalidade tão grande e desnecessária, que quase me fez passar mal. E entendam, eu amo histórias de serial killers, eu inclusive almoço vendo esse tipo de história, e esse livro em específico fez meu estômago revirar.

A vida dele é basicamente ser rico e idiota, quando está perto dos amigos, e ser um verdadeiro psicopata quando está sozinho, ou com suas vítimas. Se você tem estômago fraco, é sensível à tortura e estupro, não recomendo que leia esse livro, pois pode te fazer mal. Tem necrofilia e até canibalismo, então veja bem se você consegue aguentar o tranco.


Eu li Psicopata Americano em português, e estou colocando isso como informação aqui, pois esse livro ficou por mais de 4 anos na minha lista de livros pra ler, nos desafios anuais, e eu nunca lia justamente por que enfiei na cabeça que queria lê-lo em inglês. Só que eu percebi que eu não estava nada a vibe de ler esse tipo de livro em inglês, e aí li em português mesmo.

É um livro extremamente desconfortável de ler, até pra mim que amo o tema. Se você já leu Quando os Adams Saíram de Férias, e lembra das última cena de tortura, é tipo aquilo, só que no livro todo. Claro, nas partes de tortura e morte. Boa parte do livro é só um homem extremamente babaca sendo idiota com as pessoas, e tendo sua diversão em ver a desgraça de outras pessoas. Além do fato de ser um psicopata assassino, Patrick é muito mesquinho. Fala dos outros como se um terno mais ou menos caro que o dele revelasse algo podre ou brilhante dentro de alguém. 

Geralmente quando eu leio ou vejo histórias de serial killers, ou até mesmo de uma pessoa que mata criando todo um plano por trás disso, eu sempre tento entrar na cabeça do assassino pra entender o motivo por trás de tudo. Mas em Psicopata Americano, para mim, foi simplesmente impossível fazer esse exercício de empatia. Já deixo claro que é um ótimo exercício para a gente deixar de sermos apenas "juízes" de crimes, e colocarmos na nossa cabeça que não são monstros que matam, são seres humanos, e inclusive seu pai ou seu filho pode ser um deles. Além da matança, eles têm vidas normais. 

Patrick é doentio a um nível em que meu cérebro simplesmente não conseguia me colocar naquele lugar. Boa parte do que ele faz, para mim, não é nem humano, então eu realmente não consegui entrar na cabeça dele. O que talvez tenha levado ao fato de que eu ODIEI este personagem e todo o ciclo dele do início ao fim. Não há 01 personagem gostável no livro, pois todos são mesquinhos, racistas e homofóbicos. Então, vá ler já sabendo que provavelmente irá odiar todos os personagens. O que, de forma alguma, torna o livro ruim. O ciclo social do Patrick é detestável por que precisava ser assim dentro da narrativa que o autor criou.

É isto, minha gente. Psicopata Americano é um livro ótimo, com personagens detestáveis e uma narrativa que vai de lenta (no cotidiano) à frenética (nas torturas) em questões de parágrafos. Sugiro que tenha uma certa paciência, se caso você for lê-lo, pois a parte de ação só começa lá perto da página 100, mas depois as coisas acontecem com bastante frequência. Recomendo muito a leitura, porém somente para quem tem estômago forte e que tem realmente um interesse em histórias assim. Eu, pessoalmente, sei que só irei reler esse livro daqui uns 10 anos, pois é bem violento e gráfico, e não é sempre que a gente tá bem pra ficar lendo esse tipo de livro, né?

Inclusive, me conta aqui. Você lê livros violentos em que fase da vida? Eu sou a pessoa que lê quando estou muito interessada, mas evito ao máximo quando estou mal. Só que quando estou super bem, prefiro manter a vibe e ler livros mais leves, então por isso hoje eu leio poucos livros violentos. Preciso estar naquele meio entre estar mal e super bem para conseguir realmente aproveitar a leitura, haha!

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Resenha: Aliens






Título: Aliens
Autores: Andrei Simões, Breno Torres, Clara Gianni, Fábio de Andrade, Flávio Ramos Moreira, Giuliana Murakami, Lenmarck e Saulo Sisnando (org)
Editora: Editora Teatro de Apartamento
Ano de publicação desta edição: 2018
Número de páginas: 88
Onde encontrar: Amazon / Skoob
Nota: 4 / 5


Aliens é uma coletânea de contos brasileiros, obviamente reunidos por falarem de alienígenas. O primeiro conto, Rebobine Antes de Devolver, se passa numa locadora de fitas VHS. Quem lembra desses lugares, hein? No conto, os donos de uma das locadoras do bairro é um alienígena, que sequestra alguns clientes, junto com um dos funcionários. Eles sequestravam especificamente os clientes que alugavam a fita do Jurassic Park. Achei legal essa junção de algo do passado, os dinossauros, ou os aliens, que achamos que são seres do futuro.

O conto Escamas é bem interessante. Narra a vida dos répteis que viviam na terra antes do big bang, só que eram reptilianos. Novamente essa junção de passado e futuro. Alguém aí acredita em reptilianos? Acho uma teoria ótima, não acredito totalmente, mas acredito sim que possam existir em algum lugar do universo. O terceiro conto é O Arranha-céu. Dois irmãos, um deles possui algum problema psicomental e por isso é incapaz de entender e fazer certas coisas. Ele começa a não querer fazer as coisas ou ter medos irracionais, e o irmão mais velho é chamado para cuidar dele. Acontece que não eram medos irracionais. Existem duas raças alienígenas brigando para saber quem ficará com o menino.

"Cada tentativa que sua mente cria para organizar coisas inexplicáveis se torna mero flerte platônico que o terror causa em todo o seu corpo até que sua sanidade comece a sucumbir sem volta", O Início do Fim.

O Início do Fim é um conto em que um homem vê um vulto, aí depois vê a forma de um alien. Mas ele jura que está apenas alucinando, então continua vivendo como se nada estivesse acontecendo. Já o conto A Cabra na Estrada tem como protagonistas um casal de policiais que estão indo investigar algumas mortes no sertão. Tudo que veem pela estrada são cabras mortas, criando um cenário horripilante e macabro. Os últimos parceiros da moça que está liderando a investigação, morreram durante a investigação e nunca sequer foram encontrados.

Em Busca de um Significado fala sobre um garoto nerd, bem estereotipado. Gosta de games, fica o dia inteiro no computador, odeia falar com as pessoas e ter interações sociais. Ele conhece uma alien e eles acabam conversando sempre, pois ele sente que ela o entende de alguma forma. No conto Plutão Ainda é Planeta temos um cenário bem diferente e até divertido. Um jovem está num app de relacionamento (leia-se Tinder ou similares) e acaba encontrando um cara legal, com quem ele conversa algumas vezes e decide se encontrar. Só que o date não acontece bem como o planejado.

"Berrou junto aos berros do outro, que contorcia-se, suava aos borbotões e deslizada nos próprios rios de sangue borbulhante...", Plutão Ainda é Planeta.

E por fim, temos o conto Corpo Estranho. Confesso que entendi pouquíssimo desse conto, mas resumidamente, há avisos por toda parte, de que as pessoas não podem sair de casa. O personagem sai. Isso, agora, me lembrou bastante da Covid-19 e o momento de quarentena que estamos vivendo. Aqui no Brasil a quarentena não é obrigatória (na Itália, quem sai de casa sem motivo é multado), o que significa que mesmo com avisos para não sair de casa, muitos ainda saem.

Gostei muito do livro! Acho que dá pra perceber pela nota, já que 4 estrelas é uma nota bem boa. Gostei muito do conto sobre Plutão, principalmente por que, astrológica e mitologicamente, eu tenho uma relação peculiar com Plutão. Sei que Plutão hoje é considerado planetóide, mas eu sigo apaixonada por ele, já que ele continua fazendo parte do nosso sistema solar. Também gostei muito do conto sobre as cabras, e acho que teve o melhor final possível! E também gostei do conto sobre os dois irmãos. Assim, na verdade esses contos foram os que eu amei, os que eu recomendo para todos os seres no universo que sabem ler.

"Vivia uma interminável agonia de, mesmo sabendo a resposta, jamais descobrir a pergunta", Corpo Estranho.

O restante dos contos eu apenas gostei, achei regulares. E o último conto em específico eu nem sequer entendi direito. Também se passa no sertão, e me lembrou de leve Bacurau. Apesar de que Bacurau eu entendi, e o conto nem tanto.. É um livro bem curto, que com certeza vale a pena ler. Além de um ótimo passatempo, quem gosta de histórias de alienígenas vai amar! Tem muita coisa misturada, tanto de passado e futuro, quanto de regionalidades fortes presentes no livro. Acho que trazer a temática alienígena para as realidades brasileiras é algo necessário e que fortalece a nossa cultura! Recomendo muito a leitura do livro.


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Resenha: A Quarta-feira 13, de Luana Mercurio




































Título: A Quarta-feira 13
Autor: Luana Mercurio
Editora: Amazon
Ano de publicação desta edição: 2019
Número de páginas: 7
Onde encontrar: Skoob
Nota: 5 / 5


A quarta-feira 13 é um conto de terror bem curtinho. O enredo, basicamente, é: funcionários começam a ser demitidos de uma empresa, por que mudaram algumas normas. Mais de 1/4 dos funcionários são demitidos, e aí são todos levados para um local, para ficarem esperando. Só que eles acabam presos ali, ficam batendo na porta esperando que alguém do lado de fora ouça, mas nada acontece. Ninguém aparece para abrir a porta.

O conto todo tem um clima ótimo de suspense, mas é literalmente no último parágrafo que o terror propriamente aparece, então leia o conto inteiro! Eu gostei muito da experiência, foi bem diferente do que eu esperava. No início do conto é impossível prever o que vai acontecer do meio pro final, ou seja, surpreendente! E o conto inteiro cria um clima de suspense que prepara o leitor para o que vem no final.

Recomendo muito que você leia se gosta de terror e de suspense. Claro, se você quer ler mais contos escritos por mulheres, também fica aqui a super recomendação. A escrita é muito boa, e com certeza você vai ao menos gostar do conto.



domingo, 20 de setembro de 2020

Resenha: Moby Dick, de Herman Melville

 


Título: Moby Dick
AutorHerman Melville
Editora: Amazon Classics
Ano de publicação desta edição: 2017
Número de páginas: 654
Onde encontrar: Skoob / Amazon
Nota: 4 / 5


AVISO: O livro digital (ebook) em inglês está disponível gratuitamente na Amazon. Clica aqui pra ver!

Moby Dick é o nome de uma das baleias mais temidas do mundo, para Ahab (ou Acab, dependendo da tradução). Ahab é capitão de um navio, e um certo dia, na caça às baleias, ele se deparou com uma imensa cachalote, Moby Dick. Tentando pegar o animal, perdeu sua perna, e jurou que mataria a baleia.

"Moby Dick seeks thee not. It is thou, thou, that madly seekest him"

O livro começa com o recrutamento dos marinheiros que irão no Pequod, navio de Ahab. O personagem que narra o livro é Ishmael (ou Ismael), mas ele está longe de ser o personagem principal. A verdade é que no livro, tudo se passa ao redor do mar e do navio, e eu diria que os dois são os verdadeiros personagens principais. Além de Moby Dick, é claro.

Acompanhamos a rotina dos que foram selecionados para partir em busca de Moby Dick. Mesmo sendo um navio baleeiro, que tem seu sustento tirado da carne, esperma, ambergris, ossos e óleo de baleia, e por isso indo atrás de qualquer baleia que possa fornecer isso à eles, o objetivo principal é matar Moby Dick. 

Vamos acompanhando então a rotina do navio, acompanhando a história de vida dos tripulantes e também das pessoas de outros navios, que vão cruzando o caminho do Pequod. É um livro que narra sobre mais de um ano inteiro no mar, sobre as felicidades e desafios de ser marinheiro num navio baleeiro. Ahab diz algo que me marcou. Parafraseando, ele diz que só terá em seu navio quem tem medo de baleias, pois só o medo cria a coragem necessária para enfrentar Moby Dick.

"Death to Moby Dick. God junt us all, if we do not hunt Moby Dick to his death"

Acho que é bom dizer, para se caso nem todos saibam, que os personagens são dos Estados Unidos, mais especificamente de Nantucket, que é uma vila/ilha. Como o livro foi escrito há muito tempo, o inglês usado (caso você vá ler inglês) é beeeem arcaico. Recomendo que leia em inglês se você for fluente, e que se jogue no livro em português se quiser uma leitura menos demorada.



O livro começa com uma grande introdução sobre Leviatã. Se você gosta de mitologia, ou é conhecedor da Bíblia, sabe que Leviatã é um grande monstro marinho que representa o fim dos tempos. O Leviatã é descrito como uma enorme serpente marinha, mas em Moby Dick, muitas vezes a própria baleia é vista como a representação do Leviatã, como o mau encarnado, o mau que vive no fundo do mar.

Tem uma parte super interessante, ainda quando estão em terra, sobre religiosidade. Eles precisam crer em Deus para acreditar que a vida deles como marinheiros faz algum sentido. É uma jornada perigosa, e por isso, a crença os faz acreditar que há um lugar para ir, se caso morrerem. A grande maioria dos tripulantes são cristãos, mas existem ali também pessoas com outras crenças, e que são muito importantes para a história.

"God keep up, but already my bones feel damp within me, and from the inside wet my flesh. I misdoubt me that I disobey my God inobeying him"

Sobre ler o livro em inglês: confesso que entendi no máximo 30% do livro. Entendi o básico, e diz mais de 1000 marcações de palavras que eu não conhecia, então dá pra perceber que não foi uma leitura fácil pra mim. Eu levei 2 anos e meio para terminar este livro, e muito disso se deve ao fato de ser em inglês arcaico. Isso me desanimava e eu acabava ficando até meses sem encostar no livro.

Vamos adicionar à isto o fato de eu ter fobia de mar e que nem sempre era confortável ler o livro. Mas coloquei ele como um desafio à mim mesma, e consegui cumprir! Recomendo muito que você leia, se caso gosta de histórias no mar, e se gosta de aventura. Se você não gosta de ler sobre animais sendo mortos e suas carnes sendo separadas, não recomendo. Pois existem cenas bem gráficas sobre o que eles fazem com cada parte do corpo das baleias. Creio que é um livro que todos devem ler. Há audiobooks disponíveis no google, porém eles são de adaptações do livro, quando eles dão aquela resumida na história, sabe? 

"Squeeze! Squeeze! Squeeze! All the morning long; I squeezed that sperm till I myself almost melted into it; I squeezed that sperm till a strange sort of insanity came over me;"

Se você não se importa com todos os detalhes, acho que o audiobook e até mesmo a versão física adaptada do livro vai ser uma ótima leitura! Eu li o texto integral, no original em inglês, e devo dizer que há uma quantidade exorbitante de detalhes que nem sempre realmente adicionam algo pra história. De qualquer forma, se você quer ler, fica aqui a recomendação. É um livro ótimo, e muito desafiador para qualquer leitor.






quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Resenha: El Gato Con Botas, de Charles Perreaut

 


Título: El Gato Con Botas / O Gato de Botas
Autor: Charles Perrault
Editora: Domínio Público
Ano de publicação desta edição: 2016 (publicação original em 1697)
Número de páginas: 24
Onde encontrar: Amazon / Skoob
Nota: 4 / 5 


El Gato Con Botas (O Gato de Botas, me português) é um conto de fantasia. Um homem importante no reino, muito rico, deixa toda a sua fortuna à um gato. Os humanos que poderiam herdar a fortuna, então, planejam abandonar o gato em algum lugar, para poderem ficar com o dinheiro.

A história é literalmente isso e o finalzinho, já que o conto tem apenas 24 páginas (na versão que li). 

Eu gostei muito da história por que é fácil de ler. Eu li em espanhol, uma língua que fazia anos que eu não tinha um contato próximo de leitura assim. Foi uma experiência ótima, e fiquei muito feliz por que consegui de fato ler. Acho que entender espanhol, muitas vezes é fácil para quem fala português, mas também sei que existem várias palavras diferentes, ou até que possuem significados diferentes.

"- Además, me han segurado, dijo el gato, pero no pudo creerlo, que vos también tenéis el poder de adquirir la forma del más pequeño alimalillo; por ejemplo, que podéis convertiros en un ratón, en una rata

Particularmente, acho que ler em espanhol é mais difícil do que ler em inglês. Por que quando eu leio em inglês, flui super bem. Não fico tentando traduzir e nem nada, por que minha mente já está acostumada com o idioma. Mas em espanhol, é normal que eu fique comparando a escrita com a palavra em português, e isso acaba dificultando pra mim. Isso quase não aconteceu neste conto!

Recomendo muito a todos que querem ler um conto leve. Se você não sabe nada de espanhol, ou simplesmente prefere ler em português, também fica aqui a minha recomendação. É um conto que está em domínio público, então você consegue achá-lo facilmente na internet. Se joga nessa leitura rapidinha e gostosa! Don't f*ck with cats.



domingo, 6 de setembro de 2020

Filmes de 2020

 Lista com todos os filmes, animes e séries que vi durante 2020.


  1. Shrek 3
  2. Procurando Dory
  3. Uma Família de Dois
  4. O Auto da Compadecida
  5. Shokugeki no Souma (1° à 3° temporadas)
  6. Retrato de Fé
  7. Sex Education (2° temporada)
  8. Minha Mãe é Uma Peça 1
  9. Uma Quase Dupla 
  10. Shigatsu Wa Kimi no Uso
  11. Alguém me Explica o Mundo
  12. Somos Todos Iguais
  13. Jumanji II
  14. Itaewon Class
  15. O Homem que Desafiou o Diabo
  16. Elite (2° e 3° temporadas)
  17. Dear White People (3° temporada)
  18. O Milagre na Cela n° 7
  19. Tim (o maia)
  20. A Dona do Terreiro
  21. Bojack (1° à 6° temporadas)
  22. Lucifer (1° à 5° temporadas)
  23. Eu Nunca
  24. Don't Fuck With Cats
  25. Kuroshitsuji 
  26. F is For Family (1° à 4° temporadas)
  27. Reality Z
  28. Up: Altas Aventuras
  29. Seis Vezes Confusos
  30. Unsolved
  31. Brooklyn 99 (1° à 7° temporadas)
  32. Dark (1° e 2° temporadas)
  33. Hataraku Saibou 
  34. Saiki Kusuo 1° à 3° temporadas)
  35. Saiki Kusuo Reativado
  36. Conversando Com um Serial Killer: Ted Bundy
  37. Annabelle 1
  38. 365 DNI
  39. Hoops

Resenha: Oi, Vizinha, de Raquel Costa

 

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Título: Oi, Vizinha
Autor: Raquel Costa
Editora: Publicação Independente
Ano de publicação desta edição: 2020
Número de páginas: 69
Onde encontrar: Skoob / Amazon
Nota: 5 / 5 


Júlia pensou que seu namorado, Nathaniel, a pediria em casamento. Eles foram para um restaurante incrível, e Júlia tinha certeza de que aquele seria o melhor momento da sua vida até então. Mas não foi isso que aconteceu. Nathan, como ela o chama, a levou até o melhor restaurante da cidade apenas para terminar o namoro e não causar uma má impressão. Ele já tinha outra pessoa, e então dispensou Júlia.

"Quando aquela venda caiu dos meus olhos, a visão era horrível. Nathan havia me substituído, como se eu fosse uma 'coisa'"

E então começa uma fase da vida de Júlia em que tudo a lembra do ex e isso a destrói por dentro. Sua chefe percebe que Júlia não está bem e pede que ela tire alguns dias de folga, e recomenda uma psicóloga. Terapia é o que Júlia mais precisa naquele momento. 

Ela tem um cachorro, presente de Nathan, e quer doar o cachorro de qualquer jeito, para não ter mais lembranças do ex. Faz um anúncio, e espera que alguém se interesse pelo filhote. Um dia, o bichinho foge e só para quando encontra Matteo, que mora no mesmo prédio que ela. Só que há um problema: Matteo era o garçom do restaurante em que Nathan terminou com ela. Restaurante onde ela chorou muito e que todos viram.

"Queria que o chão se abrisse debaixo de meus pés até a crosta terrestre, para que eu pudesse sair daquele momento humilhante"

Ver Matteo é como se fosse um recado do universo de que a época da humilhação chegou na vida dela. Ela faz o possível para escrever isso, e para evitar o vizinho, já que ele também a lembra da grande humilhação que ela passou no término. Mas não é bem isso que o universo quer para Júlia.

Eu amei imensamente esse livro. Era tudo que eu precisava ler: uma história cheia de clichês contada de uma forma tão gostosa e original que fez parecer que foi o primeiro romance do tipo que li. Se você está procurando algo que aqueça o seu coração e te tire aqueles sorrisos bobos com facilidade, este ebook é o que você precisa ler. Não é um romance impossível, daqueles que só acontecem em filmes. É um romance gostosinho de acompanhar, com um ótimo desenvolvimento.

"Mostrou mais uma vez aquele sorriso insuportavelmente maravilhoso"

Tudo acontece no tempo que precisa acontecer, e isso foi o que mais me encantou. Júlia não foi direto de um relacionamento para o outro, e nem usou um homem para esquecer outro. Tudo foi genuíno, e um ritmo natural, e ao mesmo tempo foi uma leitura rápida!

Não vou falar muita coisa, afinal é um conto com menos de 100 páginas, mas saibam que o romance presente aqui, é sim aquele água com açúcar, mas que fala muito de superação emocional. Da importância da terapia, importância que os amigos e família podem fazer quando estamos vivendo momentos difíceis. Leiam, com certeza não irão se arrepender.

Eu me senti uma adolescente de 15 anos descobrindo um primeiro amor, enquanto estava lendo. Em vários momentos fiquei com aquele sorriso bobo de pessoa apaixonada no rosto. Eu acho incrível os autores que conseguem nos deixar com esse sorriso no rosto. Ficar feliz lendo um livro é uma coisa incrível, e eu realmente espero que vocês se permitam experimentar isso com Oi, Vizinha.



quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Resenha: Coração-granada, de João Doederlein (@akapoeta)

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Título: Coração-granada

Autor: João Doederlein (@akapoeta)
Editora: Editora Paralela
Ano de publicação desta edição: 2018
Número de páginas: 192
Onde encontrar: Skoob / Amazon
Nota: 4 / 5 


AVISO: Coração Granada contém gatilhos de ansiedade e depressão. Se está passando por um momento difícil, não leia esta resenha e não recomendo que leia o livro!

"o mar beija a praia o tanto de vezes que eu queria poder beijar você"

Coração Granada é um livro de poesia. João é famoso nas redes sociais por escrever ressignificados das palavras, e aqui neste livro temos mais alguns, apesar de eles não serem o foco do livro. O foco do livro são poesias fora dos ressignificados, poesias que vem do coração.

Um tema muito abordado no livro é ansiedade e depressão, e por este motivo eu já não recomendo se caso você estiver num momento sensível, assim como deixei no aviso. Eu tenho depressão e ansiedade. Faz muito tempo que não tenho uma crise de depressão, mas convivo com a ansiedade todos os dias. Não tenho muitas crises de ansiedade há quase um ano (façam terapia, isso salva / sou terapeuta holística, caso queiram tentar essa modalidade) e devo dizer que não foi um livro confortável para ler.

"Eu tenho inveja da chuva que toca o seu corpo quando o céu chora
e do sol que faz cafuné o seu cabelo todas as manhas

E aqui vou fazer uma diferenciação. Para mim, existem livros que não são confortáveis, mas que me tocam e me fazem refletir. Geralmente falam sobre abuso, relacionamentos e coisas do tipo. E existem livros que são desconfortáveis e me fazem ficar mal durante a leitura. E Coração Granada foi o segundo caso. O João descreve a ansiedade dele, de forma poética, mas ainda sim de uma forma que eu, que convivo com ansiedade consegui captar tão bem que começou a me deixar ansiosa. 

Outra coisa que eu sinceramente odiei, e foi esse o motivo de ter tirado uma estrela, é que o João coloca a ansiedade como parte dele, como se a vida dele girasse em torno do transtorno de ansiedade. Eu entendo completamente que realmente pode ser que isso aconteça, mas se tem uma coisa que sabemos, é que se você escolhe entregar à sua vida à um transtorno e viver à partir dele, você não está no controle de nada, e perde a vida inteira por ter entregado sua vida para um transtorno psicomental.

"refúgio (s.m)
é o nome que eu dei para os seus braços quando me envolviam em dias ruins
"

Ninguém vence a ansiedade ou a depressão falando que a ansiedade pode vir, entrar; falando que a ansiedade é quem está no controle e que por isso você não tem forças pra fazer outras coisas. E novamente dizendo: eu entendo que o sentimento pode ser esse, mas eu acho muito pesado colocar isso em um livro, principalmente de uma forma bem crua (apesar de estar num poema), num livro em que a maior parte das pessoas que irão ler são adolescentes que tem esses transtornos. 

Então, se você tem ansiedade e gosta muito do João, sinto muito, mas eu não te recomendo ler esse livro. Não apenas por o tema principal ser ansiedade (a ponto de a ansiedade ser uma personagem nos poemas), mas por que eu não concordo NADA com a forma como ele se entrega à ansiedade, e que pode influenciar outras pessoas a fazerem o mesmo. 

Se você entrega sua vida à algo, é óbvio que vai perder o controle. Se você se resume como "uma pessoa ansiosa" ou "uma pessoa depressiva", é isso que você vai se tornar cada vez mais. Você NÃO É a depressão e NÃO É a ansiedade! Você é uma pessoa que tem sonhos, que estuda ou trabalha, que gosta de ouvir tal tipo de música. Você não pode ser definido por um transtorno ou doença. Não deixe que te tomem a sua vida, e principalmente não entregue a sua vida nas mãos de neurotransmissores que estão falhando. E faça terapia!

"Os fragmentos do que fomos ainda vivem em mim"

É importante passar pelo momento de aceitação das coisas, de entender "ok, estou tendo uma crise de ansiedade", e talvez sim chorar, gritar, ir fazer algo pra ver se passa. Mas à partir do momento em que você desiste e deixa que a ansiedade controle a sua vida, é realmente isso que acontece. Você passa a ser apenas um robô. E com certeza isso foi o que mais me incomodou.

O restante do livro é incrivelmente ótimo, do tipo que dá vontade de tatuar algumas frases. Pelos quotes que coloquei aqui na resenha vocês conseguem tem uma boa ideia do quão bom o livro é. Mas as poesias sobre ansiedade, pra mim, foram horríveis. Quando comentei isso no skoob, algumas pessoas vieram e me disseram que realmente sentiram desconforto enquanto liam, que acharam repetitivo várias das coisas que ele disse sobre ansiedade, e coisas do tipo.

"... é entender de uma vez por todas que o amor acaba
mas você continua
(e que nem tudo que deixa de ser presente, deixa de ter valor)
"

Acho que a repetição acaba sendo natural. Ninguém consegue inventar coisas o tempo todo, principalmente se for sobre um único assunto. Mas se causa desconforto até em quem não tem ansiedade, não recomendo nada que uma pessoa que tem ansiedade generalizada leia. 

Se caso você realmente quiser ler, eu espero que seja uma boa experiência. Para mim, exceto esse ponto em específico, foi incrível. Como eu disse, várias frases são fazer que eu tatuaria no corpo. O João tem uma sensibilidade incrível e escreve sobre as coisas de uma forma tão real e ao mesmo tempo tão poética, que é impossível ler um livro dele e não se sentir tocado pelas poesias. 

"Eu quando olho para o número do meu apartamento penso em qual seria o número do nosso"

O livro tem muitas poesias que falam sobre amor, principalmente sobre amores perdidos, que se romperam, sobre coração partido (a famosa cornagem), o coração apaixonado e o coração granada, que nada mais é do que um coração que parece que vai explodir a qualquer momento. Se você se identificou com o nome, Coração Granada, eu desejo que o seu exploda de amor.